Description:Entre 2011 e 2014, decorreu no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra um projeto de investigação coordenado por José Manuel Mendes intitulado “TRAUMA - Vítimas, Trauma e Processos Institucionais: Para além de uma ética da vítima”.A questão central desta pesquisa foi a de saber que alterações societais ocorreram para que os discursos sobre as vítimas e os dispositivos de apoio às vítimas se tornassem, hoje, formas legitimadas de acesso ao espaço público e de reclamação de direitos. Questão que, abordando a face visível de um fenómeno em expansão, implicou igualmente que se atentasse ao modo como gerem a sua condição de vítimas e reclamam os seus direitos as pessoas que, apesar de inseridas em comunidades de trauma, se situam fora dos dispositivos de apoio convencionais.A premissa de partida era a de que a compreensão das razões que subjazem à participação nas formas de associação convencionais, daquilo que as torna sociologicamente possíveis e individualmente necessárias, é tão importante quanto o seu reverso, ou seja, as razões que subjazem à possibilidade de recorrer a formas alternativas de gestão do trauma existentes nas comunidades. Para além dos discursos e dos dispositivos construídos e propostos pelas associações de vítimas e consolidados numa particular “ética da vítima”, que outras lógicas de subjetivação emergem e quais os seus pressupostos materiais, simbólicos e políticos?Partiu-se de uma perspetiva comparativa que, analisando as diferenças emergentes, procurou perceber nos diferentes casos analisados em França e em Portugal como os Estados regulam e respondem aos desafios colocados pelos acidentes e catástrofes e pela presença no espaço público das vítimas e dos seus familiares.O contacto com as associações de vítimas dos dois países permitiu perceber, por um lado, que, mais relevante do que construir uma genealogia do conceito de vítima, o que era fecundo teórica e epistemologicamente era perceber como os diferentes atores presentes neste campo, do Estado, às empresas, às vítimas, seus familiares e representantes procuravam circunscrever ou normalizar o impacto da vitimização nas políticas de cidadania, ou no caso das vítimas e suas associações, como a condição de vítima era potenciadora da configuração de uma lógica de cidadania e de acesso a direitos.Por outro lado, permitiu ainda perceber que, para além dos mecanismos convencionais de análise dos processos de vitimização, interessa igualmente perceber como uma fenomenologia do desastre, como a questão do sofrimento, do corpo, possibilita a análise da produção dos laços sociais e dos coletivos, muitas vezes na luta e na reivindicação, mas também no silêncio, no recolhimento ou na rememoração.Esta edição da e-cadernos ces está aberta a contributos que analisem problemas relacionados com o tema das vítimas, do trauma, do coping, da rememoração, das associações de vítimas, das políticas públicas e dos dispositivos legais sobre vítimas.We have made it easy for you to find a PDF Ebooks without any digging. And by having access to our ebooks online or by storing it on your computer, you have convenient answers with Vítimas, Estado e processos institucionais: uma visão multidisciplinar (e-cadernos ces #25). To get started finding Vítimas, Estado e processos institucionais: uma visão multidisciplinar (e-cadernos ces #25), you are right to find our website which has a comprehensive collection of manuals listed. Our library is the biggest of these that have literally hundreds of thousands of different products represented.
Pages
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Format
PDF, EPUB & Kindle Edition
Publisher
CES
Release
2016
ISBN
Vítimas, Estado e processos institucionais: uma visão multidisciplinar (e-cadernos ces #25)
Description: Entre 2011 e 2014, decorreu no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra um projeto de investigação coordenado por José Manuel Mendes intitulado “TRAUMA - Vítimas, Trauma e Processos Institucionais: Para além de uma ética da vítima”.A questão central desta pesquisa foi a de saber que alterações societais ocorreram para que os discursos sobre as vítimas e os dispositivos de apoio às vítimas se tornassem, hoje, formas legitimadas de acesso ao espaço público e de reclamação de direitos. Questão que, abordando a face visível de um fenómeno em expansão, implicou igualmente que se atentasse ao modo como gerem a sua condição de vítimas e reclamam os seus direitos as pessoas que, apesar de inseridas em comunidades de trauma, se situam fora dos dispositivos de apoio convencionais.A premissa de partida era a de que a compreensão das razões que subjazem à participação nas formas de associação convencionais, daquilo que as torna sociologicamente possíveis e individualmente necessárias, é tão importante quanto o seu reverso, ou seja, as razões que subjazem à possibilidade de recorrer a formas alternativas de gestão do trauma existentes nas comunidades. Para além dos discursos e dos dispositivos construídos e propostos pelas associações de vítimas e consolidados numa particular “ética da vítima”, que outras lógicas de subjetivação emergem e quais os seus pressupostos materiais, simbólicos e políticos?Partiu-se de uma perspetiva comparativa que, analisando as diferenças emergentes, procurou perceber nos diferentes casos analisados em França e em Portugal como os Estados regulam e respondem aos desafios colocados pelos acidentes e catástrofes e pela presença no espaço público das vítimas e dos seus familiares.O contacto com as associações de vítimas dos dois países permitiu perceber, por um lado, que, mais relevante do que construir uma genealogia do conceito de vítima, o que era fecundo teórica e epistemologicamente era perceber como os diferentes atores presentes neste campo, do Estado, às empresas, às vítimas, seus familiares e representantes procuravam circunscrever ou normalizar o impacto da vitimização nas políticas de cidadania, ou no caso das vítimas e suas associações, como a condição de vítima era potenciadora da configuração de uma lógica de cidadania e de acesso a direitos.Por outro lado, permitiu ainda perceber que, para além dos mecanismos convencionais de análise dos processos de vitimização, interessa igualmente perceber como uma fenomenologia do desastre, como a questão do sofrimento, do corpo, possibilita a análise da produção dos laços sociais e dos coletivos, muitas vezes na luta e na reivindicação, mas também no silêncio, no recolhimento ou na rememoração.Esta edição da e-cadernos ces está aberta a contributos que analisem problemas relacionados com o tema das vítimas, do trauma, do coping, da rememoração, das associações de vítimas, das políticas públicas e dos dispositivos legais sobre vítimas.We have made it easy for you to find a PDF Ebooks without any digging. And by having access to our ebooks online or by storing it on your computer, you have convenient answers with Vítimas, Estado e processos institucionais: uma visão multidisciplinar (e-cadernos ces #25). To get started finding Vítimas, Estado e processos institucionais: uma visão multidisciplinar (e-cadernos ces #25), you are right to find our website which has a comprehensive collection of manuals listed. Our library is the biggest of these that have literally hundreds of thousands of different products represented.